terça-feira, 1 de setembro de 2009

Guebuza inicia campanha eleitoral na Zambézia


O presidente do partido Frelimo e actual chefe do estado, Armando Guebuza, escolheu a província da Zambézia, o segundo maior círculo eleitoral do país, para o lançamento da sua campanha eleitoral, cujo arranque está previsto para o próximo dia 13 de Setembro.
Por isso, nos últimos dias, a cidade capital da Zambézia, Quelimane, tem vindo a registar um movimento invulgar de membros de proa do partido no poder, que se desdobram na organização do lançamento da campanha eleitoral da Frelimo e do seu candidato.
Esta segunda-feira, o governador da Zambézia, Carvalho Muária, reuniu-se com os quadros do estado a vários níveis, incluindo representantes dos órgãos de comunicação social públicos, para discutir alguns aspectos de organização do início da caça ao voto.

Fonte: O País

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Celebrando um prémio para Guebuza

Por: Heitor Jacob Nkomo

É sempre com grande satisfação que se toma conhecimento de que o Presidente Armando Guebuza recebeu o prémio africano de promoção do género. Trata-se do prémio “Nandi”, uma estatueta inspirada na história de uma mulher africana que enfrenta desafios na vida social, política e económica.
O prémio, decidido em Janeiro último, em Addis-Abeba, na Etiópia, foi atribuído pela organização “Femmes Africa Solidarité”. A Presidente desta organização, Bineta Diop, justificou a decisão referindo que Moçambique saiu muito recentemente de um conflito armado mas tem se destacado, mais do que muitos países africanos, na promoção do género, para além de que é um raro exemplo de territórios que conseguem manter a paz. Diop reconheceu, por outro lado, que sem a liderança aberta do Presidente Armando Guebuza “não estaríamos aqui, hoje, a reconhecer este feito”.
Este prémio, ao homenagear o Presidente Guebuza, homenageia a imagem do partido de que é líder e homenageia a imagem de um país que, ao longo de mais de quatro décadas, Guebuza e os seus companheiros vêm moldando, construindo e aperfeiçoando. E nessa titânica tarefa, o Presidente Guebuza esteve sempre na primeira linha.
Quando em 2003 Armando Emílio Guebuza foi escolhido pelos seus companheiros para substituir o insigne diplomata e estadista que é Joaquim Chissano, a esperança dos moçambicanos por um futuro melhor de progresso e desenvolvimento foi renovada. Os moçambicanos conheciam, afinal, com bastantes detalhes, a trajectória de Guebuza. Ainda com tenra idade, como dirigente do NESAM, Armando Guebuza inspirou os seus companheiros a manterem-se ligados às suas raízes.
Quando toda a máquina psico-social do regime colonial insistia num ensino alienante, que procurava subtrair os africanos da sua história e da sua cultura, Guebuza e seus condiscípulos, rapazes e raparigas, empenhavam-se na recuperação do Xigubo, do Ndlhama, do Muthimba, do Limbondo, do Mapiko, do Makwhay, da literatura africana consubstanciada nos Karingana Wa karingana e na canção moçambicana. O mérito desta acção deve ser vista tendo em conta o poder da propaganda colonial que fazia com que, qualquer jovem que entrasse no primeiro ciclo do ensino secundário passasse a ter vergonha de falar a sua língua (que os colonialistas chamavam língua de cão). Alguns tinham mesmo vergonha de apresentar suas mães que envergassem, por exemplo, a capulana ou o lenço.
O NESAN dirigido por Guebuza foi um verdadeiro centro de resistência contra a manipulação colonial. Não é, pois, de admirar quando muitos dos seus jovens membros, homens e mulheres, embrenharam-se na luta clandestina aquando da fundação da FRELIMO. Nesta opção voltou a destacar-se Armando Guebuza que, nesta fase, se notabilizou como um destemido combatente da clandestinidade.
O grupo de que Armando Guebuza fazia parte e que tentou chegar à Tanzania, via Rodésia, era constituído por jovens de ambos os sexos. Destacam-se neste grupo o próprio Guebuza, Ângelo Chichava, Milagre Mazuze, Josina Machel e Adelina Mocumbi. Já naqueles longínquos anos havia clareza de que a luta do povo moçambicano, para vencer, deveria contar com uma activa participação da mulher.
Com Samora, Chissano, Chipande, Mabote e outros combatentes Armando Guebuza simbolizou a recuperação da dignidade roubada pelo ocupante. A luta titânica pela libertação da nossa pátria e a epopeia do estabelecimento do primeiro Estado dirigido por moçambicanos figurarão na história universal como indómitas reivindicações protagonizadas por uma geração valorosa, altiva e resoluta. Foi rememorando esta trajectória de Guebuza que as esperanças dos moçambicanos foram renovadas aquando da sua eleição como Presidente da República.
As esperanças dos moçambicanos não foram defraudadas. A dinâmica liderança de Guebuza marcou diferença nestes últimos cinco anos. Peguemos apenas num exemplo. A transferência de recursos e poder para os distritos conferiu maior protagonismo às moçambicanas e moçambicanos. Esse protagonismo é visível ao nível político e, também, ao nível económico. No que concerne à mulher, a sua presença é visível nos Conselhos Consultivos, na chefia de postos administrativos, na administração de distritos, no governo de províncias, na chefia de ministérios, como deputadas, como embaixadoras. A mulher está, verdadeiramente, no centro do poder. Ao nível económico, a mulher beneficia enormemente da alocação dos sete milhões aos distritos. Uma parte importante dos projectos financiados são formulados e geridos por mulheres.
Como aconteceu durante a heróica luta pela independência, os moçambicanos sabem hoje que a luta contra a pobreza só será vencida se a mulher partilhar responsabilidades com o homem. Se ela, também, exercer o poder. Poder político e poder económico.
Fonte: notícias 31/08/09

Do partido Frelimo: Juventude deve mobilizar munícipes a afluir às urnas – Primeiro-secretário da cidade de Maputo, no simpósio da OJM

A JUVENTUDE da Frelimo deve organizar-se para mobilizar os munícipes da cidade de Maputo a afluírem às urnas no dia 28 de Outubro para votar no partido e no seu candidato ao cargo de Presidente da República. O apelo foi feito ontem por Hermenegildo Infante, primeiro-secretário da formação política no poder a nível da capital do país durante o simpósio sobre estratégias de campanha e saúde sexual reprodutiva, promovido conjuntamente pela Organização da Juventude Moçambicana (OJM) e a Comissão Provincial da Juventude (CPJ).

Segundo afirmou, o envolvimento da juventude do partido no poder na sensibilização e mobilização dos munícipes na campanha eleitoral que arranca a 13 de Setembro é crucial para a redução do nível de abstenções que nos últimos anos tem caracterizado o processo eleitoral moçambicano.
“A juventude da Frelimo na cidade de Maputo tem esta responsabilidade de convencer os munícipes a se dirigirem às urnas no dia 28 de Outubro próximo para votar no partido e no seu candidato Armando Emílio Guebuza. Tem a responsabilidade de falar do compromisso da Frelimo para com o povo moçambicano. Ontem, o compromisso era libertar a pátria e os homens. Hoje, o compromisso é combater a pobreza absoluta”, disse Hermenegildo Infante.
Uma das apostas do manifesto eleitoral do partido Frelimo para os próximo cinco anos é a juventude. Questionado se em algum momento as questões da juventude foram relegadas para o segundo plano, Hermenegildo Infante afirmou que o partido no poder sempre apostou na juventude para vencer todos os desafios.
Disse que a Frelimo foi fundada por jovens, camada social que, segundo o primeiro secretário do partido no poder a nível da cidade de Maputo, precisa de cuidados especiais. Afirmou que quando o manifesto eleitoral aposta na juventude, e também noutros grupos sociais, não é uma questão de propaganda política. O programa da Frelimo sempre priorizou a juventude, disse.
Entretanto, o secretário da OJM a nível da cidade de Maputo, Sérgio Matos, explicou que a realização do simpósio insere-se no âmbito da pré-campanha. Disse estar em curso um plano único de envolvimento da juventude da Frelimo na campanha eleitoral, cujas linhas de orientação emanam do partido.
Questionado sobre o comportamento que a juventude da Frelimo irá tomar durante a campanha, Sérgio Matos afirmou que os jovens do partido no poder sempre primaram por uma boa postura.
“Sempre nós pautamos por civismo, ordem e observância da lei. Aliás, antes das campanhas eleitorais, os jovens são submetidos a uma formação, na qual se falam de questões de ética, civismo e observância da Lei. Os nossos jovens não irão provocar a ninguém. Irão trabalhar com a necessária postura para garantir uma vitória clara ao partido e ao seu candidato. Mas também esperamos que os nossos adversários observem a lei e pautem pelo civismo. Afinal de contas, campanha eleitoral é momento de festa e não de confrontação”, concluiu.

domingo, 30 de agosto de 2009

ʺ28 de Outubro deve ser um dia de festaʺ - Maria da Luz Guebuza

- E não de pretexto para violências politicas.

A Primeira-dama da República, Maria da Luz Guebuza, apelou aos beirenses a transformar o processo de eleição que se avizinha em momentos de diversão e não de pretexto para violências políticas.
O apelo foi lançado num comício popular no bairro de Aeroporto no âmbito da visita que a esposa do Presidente da República efectua a província de Sofala desde última sexta-feira. Maria Guebuza começou por lembrar aos beirenses que campanha eleitoral, não é o momento para conflitos que podem terminar em desgraças e disse ainda que pensamentos políticos opostos não significam inimizade.
Na mesma ocasião, onde não faltaram diversas actividades culturais, apelou aos pais e encarregados de educação a evitar a violência doméstica, porque, nas suas palavras o facto pode contribuir para deformar o futuro das crianças.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

FRELIMO desqualifica acusações do MDM*

O PARTIDO Frelimo distancia-se das acusações feitas pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo as quais seus militantes e simpatizantes na província de Gaza estariam a inviabilizar a visita de Daviz Simango àquele ponto do país.

Edson Macuácua, secretário do Comité Central para a Mobilização e Propaganda e porta-voz da Frelimo, disse ao “Notícias” que as acusações do MDM são “gratuitas, desonestas, infundadas, movidas de má-fé e que visam distrair e confundir a opinião pública”.
O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique, José de Sousa, foi quem deu a cara, atirando as pedras contra o partido governamental. Nas suas alegações, José de Sousa acusou membros e simpatizantes da Frelimo de terem incendiado a sede do seu partido na cidade de Xai-Xai e de terem usados meios do Estado para perturbar a visita do seu presidente e candidato às presidenciais de 28 de Outubro, Daviz Simango.
Reagindo a estas acusações, Edson Macuácua denunciou que o MDM e o presidente e candidato presidencial Daviz Simango estão a enfrentar sérios problemas de inserção e de aceitação à escala nacional e, para justificar o fracasso procuram bode expiatório.
Edson Macuácua explicou que o MDM encontra aceitação apenas num ínfimo grupo de descontentes e dissidentes da Renamo, facto que conduz aquele partido ao desespero.
De acordo com o porta-voz da Frelimo, estas acusações são sentimento do MDM do fracasso que vai averbar nas próximas eleições gerais.
O MDM ao se lançar no terreno político apurou a existência de uma distância abismal entre a sua força aparente e a sua força real, daí o recurso ao discurso de acusações para tentar justificar pública e antecipadamente a sua previsível derrota. É o recurso à velha táctica da Renamo de culpar a Frelimo pelos seus desaires e de se colocar na posição de vítima para atrair fraudulentamente alguma simpatia”, denunciou Edson Macuácua, vincando que a Frelimo é um partido da paz, que pugna por uma convivência democrática e harmoniosa.
Edson Macuácua afirmou que calmamente, a Frelimo está a preparar-se para o período eleitoral que se avizinha pretendendo fazer da corrida um momento de festa, de reforço da paz, da estabilidade e da cultura democrática.
Mais do que mobilizar os nossos membros para inviabilizar a actividade política dos outros partidos, mobilizamo-los para se empenharem nos preparativos da vitória esmagadora da Frelimo nas próximas eleições, salientou o porta-voz da Frelimo.
* Título adaptado por Vozdarevolução

terça-feira, 25 de agosto de 2009

IV Sessão Ordinária do CC da Frelimo: Saímos mais revigorados para a vitória nas eleições

“SAÍMOS mais revigorados para a vitória nas eleições gerais e provinciais de 28 de Outubro próximo. A vitória da Frelimo é certa!”, assim se pronunciaram alguns membros do Comité Central do partido no poder domingo último, quando interpelados pelo “Notícias” num dos intervalos da IV Sessão Ordinária daquele órgão, que decorreu na cidade da Matola, província do Maputo.

Segundo os nossos entrevistados, a certeza da vitória do partido no poder nas eleições que se avizinham é fundamentada pelo facto de que “quando a Frelimo promete, a Frelimo cumpre”.
O jovem Manuel Gamito considerou que os membros do Comité Central saíram do encontro com a responsabilidade de fazer com que a Frelimo e o seu candidato às eleições presidenciais sejam consagrados vencedores. Acrescentou que também saíram da sessão com o balanço positivo da implementação das promessas feitas em 2004 e com boas perspectivas do que deverá ser o processo de governação nos próximos anos.
Segundo Manuel Gamito, a aprovação do manifesto eleitoral do partido e o compromisso do candidato reveste-se dum significado peculiar, pois demonstra que “estamos em condições de apresentar ao povo moçambicano obras exequíveis”. Disse que a estratégia eleitoral do partido orienta o crescimento da afirmação política do partido no poder, enquanto que o manifesto reflecte a dinâmica social, económica, política e cultural do país no próximo quinquénio.
O manifesto eleitoral do partido Frelimo, entre outras abordagens, confere prioridade à juventude e os desmobilizados e coloca como questão central o combate à pobreza. O “Notícias” perguntou a Manuel Gamito se, na sua qualidade de jovem, considerava que em algum momento os assuntos da camada juvenil estavam esquecidos.
“Desde a independência, os jovens têm espaço no processo de governação da Frelimo. Os desafios do crescimento vão exigindo novas abordagens”, disse, acrescentando que a juventude moçambicana joga um papel fundamental para a vitória do partido no poder.
Manuel Gamito afirmou que os jovens não só devem exigir direitos mas também devem ter a consciência de que também têm deveres patrióticos a cumprir, como é o caso do compromisso com o desenvolvimento do país.
Parafraseando o presidente do partido, Manuel Gamito considerou que apesar da convicção e certeza de que a Frelimo vencerá, há que se ter em conta que em eleições não há vitória antecipada. “Mas temos dados que nos permitem avaliar esse compromisso com a vitória. Porém, vamos continuar a trabalhar, pois o voto é secreto”, disse.
Para Maria Josefa Miguel, considerando o lema do partido, segundo o qual “a vitória prepara-se, a vitória organiza-se”, a IV Sessão do Comité Central foi mais uma reafirmação do compromisso da Frelimo e do seu candidato para uma governação virada para a satisfação das necessidades do povo rumo ao desenvolvimento.
“Nesta sessão discutimos e aprovamos documentos fundamentais que orientam a visão e acção do partido e do seu candidato nos próximos anos. Fizemos o balanço do desempenho do Governo durante o mandato prestes a findar e concluímos que é positivo. As realizações havidas durante o quinquénio assim o demonstram. As promessas feitas em 2004 foram largamente cumpridas. Hoje, ninguém pode duvidar que mercê da materialização dessas promessas, a qualidade de vida dos moçambicanos melhorou”, disse.
Na senda das realizações havidas durante o mandato, Maria Josefa Miguel destacou a reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa a favor do Estado moçambicano que, segundo afirmou, permitiu a electrificação de mais distritos, despertando a criação de unidades industriais e o fomento da actividade comercial em zonas onde não havia.
A construção da ponte Armando Guebuza, sobre o rio Zambeze, bem como de tantas outras pontes pelo país, a extensão das redes escolar, sanitária, de abastecimento de água e a construção de estradas e de outras infra-estruturas sociais foram também as marcas da governação da Frelimo no mandato prestes a terminar, segundo Maria Josefa Miguel.
Destacou, por outro lado, a alocação dos sete milhões de meticais aos distritos para o financiamento de iniciativas locais, orientadas para a produção de comida e geração de emprego. Segundo afirmou, os sete milhões de meticais estão, efectivamente, a produzir maravilhas nos distritos.
Apelou, entretanto, a todos os cidadãos com capacidade eleitoral activa para que afluam às urnas nas eleições de 28 de Outubro. “A nossa vitória é certa e inquestionável. Porém, como disse o camarada presidente, não se pode cantar vitória antecipada. Por isso, temos daqui até ao dia de eleições a grande responsabilidade de mobilizar os eleitores a votarem na Frelimo e seu candidato”, disse.
Para Carvalho Muária, os membros do Comité Central saíram da IV Sessão Ordinária mais revigorados e acima de tudo mais coesos e com a compreensão do que foi feito durante o quinquénio. Disse que da constatação feita, não restam dúvidas de que a vitória do partido Frelimo e do seu candidato às eleições presidenciais já está construída.
“Essa vitória já está construída, tendo em conta que as promessas feitas em 2004 foram concretizadas. Nos cinco anos de mandato enfraquecemos a pobreza em Moçambique”, realçou.
Carvalho Muária disse, no entanto, que a mensagem do presidente do partido foi clara, ao dizer que em eleições não há vitórias antecipadas. Para aquele membro do Comité Central, Armando Guebuza transmitiu a mensagem de que não se deve ter ilusões, mas sim aposta no trabalho de mobilização do eleitorado para afluir às urnas e votar na Frelimo e no seu candidato.
“Julgo que o presidente quis nos chamar a atenção para o facto de não nos esquecermos de que temos adversários”, afirmou.
Para Virgílio Ferrão, o partido Frelimo e o seu candidato vão reeditar a vitória nas eleições que se avizinham pela sua grandeza. Virgílio Ferrão também afirmou que os membros do Comité Central saíram da sessão revigorados para a vitória.
Disse que a vitória da Frelimo e do seu candidato é uma certeza nas eleições de 28 de Outubro, porque os resultados obtidos em vários domínios da governação durante o quinquénio são por si esclarecedores.
“Não há dúvidas de que a qualidade de vida dos moçambicanos melhorou. O combate à pobreza é um processo”, disse, destacando, porém, que apesar dos bons resultados alcançados no âmbito da implementação do programa quinquenal do Governo, há que se continuar a trabalhar na máxima força.
O jovem Edmundo Galiza Matos Júnior considerou que a IV Sessão Ordinária do Comité Central galvanizou os seus membros, bem assim todos os militantes do partido.
“Todos os documentos debatidos e aprovados nesta sessão orientam o partido para o melhor caminho. Constatamos que o desempenho do Governo durante o mandato é positivo e isso coloca-nos numa posição confortável face às eleições. Esse desempenho positivo levará, sem dúvidas, a que a população vote na Frelimo e no seu candidato”, disse.
Falando especificamente dos problemas da juventude, Edmundo Galiza Matos Júnior apontou, entre outros, a escassez de emprego, mas disse que tal se deve à própria condição do país. “A juventude enfrenta problemas sim. Muitas vezes a solução desses problemas é lenta. Mas não significa que a juventude está esquecida da agenda de governação da Frelimo. Toda a acção do Governo é transversal, no sentido de garantir a melhoria das condições de vida dos moçambicanos, incluindo os jovens”, disse.
Apelou para que os jovens da Frelimo se aproximem cada vez mais à população durante a campanha eleitoral que se avizinha, transmitindo a mensagem de que o manifesto do partido no poder e do seu candidato é o melhor e tem em vista o combate a pobreza.
Por seu turno, Beleza Zita afirmou que os membros do Comité Central do partido Frelimo saíram da IV Sessão Ordinária mais unidos ainda e inequivocamente apostados na vitória do partido e do seu candidato.
Mas apesar de sabermos que o povo está connosco, não podemos dormir à sombra da bananeira. Vamos trabalhar com afinco, sobretudo na campanha eleitoral, para que sejamos cada vez mais dignos condutores dos seus destinos”, disse.
Beleza Zita afirmou que no processo de satisfação das necessidades do povo há sempre muitos desafios a enfrentar, mas paulatinamente serão ultrapassados e um dia os moçambicanos serão capazes de se recordar da pobreza como um marco do passado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Enciclopédia social de Moçambique: “J” como em juventude


O QUE é que vemos quando vemos jovens? A seiva da nação? Os rebentos da nação? Ou aqueles que garantem a continuidade da nossa epopeia? Em certa medida, Moçambique é uma epopeia que ainda não chegou ao seu fim. É uma epopeia que estamos a escrever, dia após dia, semana atrás de semana, de mês em mês, dum ano para outro. Quem sabe quando esta epopeia começou? Essa data parece-me arbitrária. Se dissermos que ela começou mesmo antes do colonialismo estaremos a aceitar os termos que outros usam para nos descreverem e estaremos, efectivamente, a conferir ao que os outros nos fizeram um certo fatalismo histórico que não se justifica. E não se justifica porque a nossa história é a nossa história. Outros foram entrando, fazendo das suas, mas nós fomos nos fazendo e refazendo.

Tem sido uma história empolgante com um roteiro de fazer inveja ao mais exímio dos realizadores de cinema. Recorda um pouco aquele teatro comunitário de São Tomé e Príncipe em que todos são actores dias a fio. Somos actores e público ao mesmo tempo. Antes, todavia, que me perca por aí volto à questão central que é de saber como interpretamos a juventude no nosso seio. Como? Em todo o mundo a juventude é uma fase que estabelece a continuidade duma comunidade de destino. Isto não significa, porém, que ela simplesmente incorpore os ensinamentos da infância e os preserve. Cada juventude tem a sua maneira de interpretar o que aprendeu da infância e torná-lo relevante para o futuro que quer para si. Alguma juventude chega mesmo a romper com certos ensinamentos para poder renovar a sociedade. Não existe uma sociedade tradicional no sentido restrito do termo. A tradição acompanha o novo na medida em que assegura a continuidade. Os cientistas sociais que falam duma oposição fundamental entre tradição e modernidade podem estar a perceber algumas coisas de forma bastante deficiente. A modernidade precisa da tradição para se estabelecer. Em todo o lado é assim.
Menos em Moçambique. A nossa juventude não é a continuidade. Nunca foi. A nossa juventude é a ruptura. Sempre. Foram jovens, por exemplo, que romperam com o sistema colonial. Foram jovens que fragilizaram – gosto deste termo – o projecto revolucionário “abrindo”. São jovens que colocam um grande ponto de interrogação sobre a viabilidade da nossa cultura abraçando as formas artísticas mais aventureiras de que há imaginação. Por detrás da aparente diversidade dessas formas artísticas está uma monotonia revoltante. Quando querem falar de amor usam o hip-hop; quando querem falar mal do governo usam o hip-hop; quando querem falar do prazer da vida usam o hip-hop; quando querem introduzir inovações na nossa música usam o hip-hop. Enfim, a nossa juventude, de calças gigantes usadas na angústia permanente de perderem de vista a cintura para sempre – aquelas calças metem-me tanta pena – ela anuncia tempos uniformes feitos da amplificação de coisas em que a estética se perde no conteúdo.
Portanto, o que estou a dizer é que a nossa juventude tem a característica singular de não representar a continuidade. Há razões profundas por detrás disto. A principal tem a ver com o estatuto normativo da nossa cultura. É que para que alguém seja a continuidade de seja o que for é necessário que essa coisa exista. Ora, a nossa epopeia é uma história de começos. Estamos sempre a começar de novo. Quem luta pela continuidade, e perde, são os mais velhos. Eles querem segurar o tempo, lamentam os tempos lá idos que eles próprios, quando ainda jovens, tudo fizeram para inviabilizar. Ah, o tempo colonial! Ah, o tempo de Samora! Ah, o tempo de Chissano! Daqui a alguns anos havemos de ouvir também “ah, o tempo de AEG!”. Mas na hora foi “suka xikolonyi”, “é outra vez o barbudo que está a falar?”, “deixa-andar” e “insaciável”. Um dos maiores desafios que enfrentamos na construção duma nação moçambicana consiste, de certeza, no estabelecimento duma rotina histórica suficientemente atraiente aos olhos dos nossos jovens para eles apostarem na sua preservação. A única condição que ela deve satisfazer é não precisar das mãos dos jovens, pois essas estão ocupadas a segurar as calças que caiem...
Elísio Macamo-Sociólogo, nosso colaborador