domingo, 30 de agosto de 2009

ʺ28 de Outubro deve ser um dia de festaʺ - Maria da Luz Guebuza

- E não de pretexto para violências politicas.

A Primeira-dama da República, Maria da Luz Guebuza, apelou aos beirenses a transformar o processo de eleição que se avizinha em momentos de diversão e não de pretexto para violências políticas.
O apelo foi lançado num comício popular no bairro de Aeroporto no âmbito da visita que a esposa do Presidente da República efectua a província de Sofala desde última sexta-feira. Maria Guebuza começou por lembrar aos beirenses que campanha eleitoral, não é o momento para conflitos que podem terminar em desgraças e disse ainda que pensamentos políticos opostos não significam inimizade.
Na mesma ocasião, onde não faltaram diversas actividades culturais, apelou aos pais e encarregados de educação a evitar a violência doméstica, porque, nas suas palavras o facto pode contribuir para deformar o futuro das crianças.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

FRELIMO desqualifica acusações do MDM*

O PARTIDO Frelimo distancia-se das acusações feitas pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo as quais seus militantes e simpatizantes na província de Gaza estariam a inviabilizar a visita de Daviz Simango àquele ponto do país.

Edson Macuácua, secretário do Comité Central para a Mobilização e Propaganda e porta-voz da Frelimo, disse ao “Notícias” que as acusações do MDM são “gratuitas, desonestas, infundadas, movidas de má-fé e que visam distrair e confundir a opinião pública”.
O porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique, José de Sousa, foi quem deu a cara, atirando as pedras contra o partido governamental. Nas suas alegações, José de Sousa acusou membros e simpatizantes da Frelimo de terem incendiado a sede do seu partido na cidade de Xai-Xai e de terem usados meios do Estado para perturbar a visita do seu presidente e candidato às presidenciais de 28 de Outubro, Daviz Simango.
Reagindo a estas acusações, Edson Macuácua denunciou que o MDM e o presidente e candidato presidencial Daviz Simango estão a enfrentar sérios problemas de inserção e de aceitação à escala nacional e, para justificar o fracasso procuram bode expiatório.
Edson Macuácua explicou que o MDM encontra aceitação apenas num ínfimo grupo de descontentes e dissidentes da Renamo, facto que conduz aquele partido ao desespero.
De acordo com o porta-voz da Frelimo, estas acusações são sentimento do MDM do fracasso que vai averbar nas próximas eleições gerais.
O MDM ao se lançar no terreno político apurou a existência de uma distância abismal entre a sua força aparente e a sua força real, daí o recurso ao discurso de acusações para tentar justificar pública e antecipadamente a sua previsível derrota. É o recurso à velha táctica da Renamo de culpar a Frelimo pelos seus desaires e de se colocar na posição de vítima para atrair fraudulentamente alguma simpatia”, denunciou Edson Macuácua, vincando que a Frelimo é um partido da paz, que pugna por uma convivência democrática e harmoniosa.
Edson Macuácua afirmou que calmamente, a Frelimo está a preparar-se para o período eleitoral que se avizinha pretendendo fazer da corrida um momento de festa, de reforço da paz, da estabilidade e da cultura democrática.
Mais do que mobilizar os nossos membros para inviabilizar a actividade política dos outros partidos, mobilizamo-los para se empenharem nos preparativos da vitória esmagadora da Frelimo nas próximas eleições, salientou o porta-voz da Frelimo.
* Título adaptado por Vozdarevolução

terça-feira, 25 de agosto de 2009

IV Sessão Ordinária do CC da Frelimo: Saímos mais revigorados para a vitória nas eleições

“SAÍMOS mais revigorados para a vitória nas eleições gerais e provinciais de 28 de Outubro próximo. A vitória da Frelimo é certa!”, assim se pronunciaram alguns membros do Comité Central do partido no poder domingo último, quando interpelados pelo “Notícias” num dos intervalos da IV Sessão Ordinária daquele órgão, que decorreu na cidade da Matola, província do Maputo.

Segundo os nossos entrevistados, a certeza da vitória do partido no poder nas eleições que se avizinham é fundamentada pelo facto de que “quando a Frelimo promete, a Frelimo cumpre”.
O jovem Manuel Gamito considerou que os membros do Comité Central saíram do encontro com a responsabilidade de fazer com que a Frelimo e o seu candidato às eleições presidenciais sejam consagrados vencedores. Acrescentou que também saíram da sessão com o balanço positivo da implementação das promessas feitas em 2004 e com boas perspectivas do que deverá ser o processo de governação nos próximos anos.
Segundo Manuel Gamito, a aprovação do manifesto eleitoral do partido e o compromisso do candidato reveste-se dum significado peculiar, pois demonstra que “estamos em condições de apresentar ao povo moçambicano obras exequíveis”. Disse que a estratégia eleitoral do partido orienta o crescimento da afirmação política do partido no poder, enquanto que o manifesto reflecte a dinâmica social, económica, política e cultural do país no próximo quinquénio.
O manifesto eleitoral do partido Frelimo, entre outras abordagens, confere prioridade à juventude e os desmobilizados e coloca como questão central o combate à pobreza. O “Notícias” perguntou a Manuel Gamito se, na sua qualidade de jovem, considerava que em algum momento os assuntos da camada juvenil estavam esquecidos.
“Desde a independência, os jovens têm espaço no processo de governação da Frelimo. Os desafios do crescimento vão exigindo novas abordagens”, disse, acrescentando que a juventude moçambicana joga um papel fundamental para a vitória do partido no poder.
Manuel Gamito afirmou que os jovens não só devem exigir direitos mas também devem ter a consciência de que também têm deveres patrióticos a cumprir, como é o caso do compromisso com o desenvolvimento do país.
Parafraseando o presidente do partido, Manuel Gamito considerou que apesar da convicção e certeza de que a Frelimo vencerá, há que se ter em conta que em eleições não há vitória antecipada. “Mas temos dados que nos permitem avaliar esse compromisso com a vitória. Porém, vamos continuar a trabalhar, pois o voto é secreto”, disse.
Para Maria Josefa Miguel, considerando o lema do partido, segundo o qual “a vitória prepara-se, a vitória organiza-se”, a IV Sessão do Comité Central foi mais uma reafirmação do compromisso da Frelimo e do seu candidato para uma governação virada para a satisfação das necessidades do povo rumo ao desenvolvimento.
“Nesta sessão discutimos e aprovamos documentos fundamentais que orientam a visão e acção do partido e do seu candidato nos próximos anos. Fizemos o balanço do desempenho do Governo durante o mandato prestes a findar e concluímos que é positivo. As realizações havidas durante o quinquénio assim o demonstram. As promessas feitas em 2004 foram largamente cumpridas. Hoje, ninguém pode duvidar que mercê da materialização dessas promessas, a qualidade de vida dos moçambicanos melhorou”, disse.
Na senda das realizações havidas durante o mandato, Maria Josefa Miguel destacou a reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa a favor do Estado moçambicano que, segundo afirmou, permitiu a electrificação de mais distritos, despertando a criação de unidades industriais e o fomento da actividade comercial em zonas onde não havia.
A construção da ponte Armando Guebuza, sobre o rio Zambeze, bem como de tantas outras pontes pelo país, a extensão das redes escolar, sanitária, de abastecimento de água e a construção de estradas e de outras infra-estruturas sociais foram também as marcas da governação da Frelimo no mandato prestes a terminar, segundo Maria Josefa Miguel.
Destacou, por outro lado, a alocação dos sete milhões de meticais aos distritos para o financiamento de iniciativas locais, orientadas para a produção de comida e geração de emprego. Segundo afirmou, os sete milhões de meticais estão, efectivamente, a produzir maravilhas nos distritos.
Apelou, entretanto, a todos os cidadãos com capacidade eleitoral activa para que afluam às urnas nas eleições de 28 de Outubro. “A nossa vitória é certa e inquestionável. Porém, como disse o camarada presidente, não se pode cantar vitória antecipada. Por isso, temos daqui até ao dia de eleições a grande responsabilidade de mobilizar os eleitores a votarem na Frelimo e seu candidato”, disse.
Para Carvalho Muária, os membros do Comité Central saíram da IV Sessão Ordinária mais revigorados e acima de tudo mais coesos e com a compreensão do que foi feito durante o quinquénio. Disse que da constatação feita, não restam dúvidas de que a vitória do partido Frelimo e do seu candidato às eleições presidenciais já está construída.
“Essa vitória já está construída, tendo em conta que as promessas feitas em 2004 foram concretizadas. Nos cinco anos de mandato enfraquecemos a pobreza em Moçambique”, realçou.
Carvalho Muária disse, no entanto, que a mensagem do presidente do partido foi clara, ao dizer que em eleições não há vitórias antecipadas. Para aquele membro do Comité Central, Armando Guebuza transmitiu a mensagem de que não se deve ter ilusões, mas sim aposta no trabalho de mobilização do eleitorado para afluir às urnas e votar na Frelimo e no seu candidato.
“Julgo que o presidente quis nos chamar a atenção para o facto de não nos esquecermos de que temos adversários”, afirmou.
Para Virgílio Ferrão, o partido Frelimo e o seu candidato vão reeditar a vitória nas eleições que se avizinham pela sua grandeza. Virgílio Ferrão também afirmou que os membros do Comité Central saíram da sessão revigorados para a vitória.
Disse que a vitória da Frelimo e do seu candidato é uma certeza nas eleições de 28 de Outubro, porque os resultados obtidos em vários domínios da governação durante o quinquénio são por si esclarecedores.
“Não há dúvidas de que a qualidade de vida dos moçambicanos melhorou. O combate à pobreza é um processo”, disse, destacando, porém, que apesar dos bons resultados alcançados no âmbito da implementação do programa quinquenal do Governo, há que se continuar a trabalhar na máxima força.
O jovem Edmundo Galiza Matos Júnior considerou que a IV Sessão Ordinária do Comité Central galvanizou os seus membros, bem assim todos os militantes do partido.
“Todos os documentos debatidos e aprovados nesta sessão orientam o partido para o melhor caminho. Constatamos que o desempenho do Governo durante o mandato é positivo e isso coloca-nos numa posição confortável face às eleições. Esse desempenho positivo levará, sem dúvidas, a que a população vote na Frelimo e no seu candidato”, disse.
Falando especificamente dos problemas da juventude, Edmundo Galiza Matos Júnior apontou, entre outros, a escassez de emprego, mas disse que tal se deve à própria condição do país. “A juventude enfrenta problemas sim. Muitas vezes a solução desses problemas é lenta. Mas não significa que a juventude está esquecida da agenda de governação da Frelimo. Toda a acção do Governo é transversal, no sentido de garantir a melhoria das condições de vida dos moçambicanos, incluindo os jovens”, disse.
Apelou para que os jovens da Frelimo se aproximem cada vez mais à população durante a campanha eleitoral que se avizinha, transmitindo a mensagem de que o manifesto do partido no poder e do seu candidato é o melhor e tem em vista o combate a pobreza.
Por seu turno, Beleza Zita afirmou que os membros do Comité Central do partido Frelimo saíram da IV Sessão Ordinária mais unidos ainda e inequivocamente apostados na vitória do partido e do seu candidato.
Mas apesar de sabermos que o povo está connosco, não podemos dormir à sombra da bananeira. Vamos trabalhar com afinco, sobretudo na campanha eleitoral, para que sejamos cada vez mais dignos condutores dos seus destinos”, disse.
Beleza Zita afirmou que no processo de satisfação das necessidades do povo há sempre muitos desafios a enfrentar, mas paulatinamente serão ultrapassados e um dia os moçambicanos serão capazes de se recordar da pobreza como um marco do passado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Enciclopédia social de Moçambique: “J” como em juventude


O QUE é que vemos quando vemos jovens? A seiva da nação? Os rebentos da nação? Ou aqueles que garantem a continuidade da nossa epopeia? Em certa medida, Moçambique é uma epopeia que ainda não chegou ao seu fim. É uma epopeia que estamos a escrever, dia após dia, semana atrás de semana, de mês em mês, dum ano para outro. Quem sabe quando esta epopeia começou? Essa data parece-me arbitrária. Se dissermos que ela começou mesmo antes do colonialismo estaremos a aceitar os termos que outros usam para nos descreverem e estaremos, efectivamente, a conferir ao que os outros nos fizeram um certo fatalismo histórico que não se justifica. E não se justifica porque a nossa história é a nossa história. Outros foram entrando, fazendo das suas, mas nós fomos nos fazendo e refazendo.

Tem sido uma história empolgante com um roteiro de fazer inveja ao mais exímio dos realizadores de cinema. Recorda um pouco aquele teatro comunitário de São Tomé e Príncipe em que todos são actores dias a fio. Somos actores e público ao mesmo tempo. Antes, todavia, que me perca por aí volto à questão central que é de saber como interpretamos a juventude no nosso seio. Como? Em todo o mundo a juventude é uma fase que estabelece a continuidade duma comunidade de destino. Isto não significa, porém, que ela simplesmente incorpore os ensinamentos da infância e os preserve. Cada juventude tem a sua maneira de interpretar o que aprendeu da infância e torná-lo relevante para o futuro que quer para si. Alguma juventude chega mesmo a romper com certos ensinamentos para poder renovar a sociedade. Não existe uma sociedade tradicional no sentido restrito do termo. A tradição acompanha o novo na medida em que assegura a continuidade. Os cientistas sociais que falam duma oposição fundamental entre tradição e modernidade podem estar a perceber algumas coisas de forma bastante deficiente. A modernidade precisa da tradição para se estabelecer. Em todo o lado é assim.
Menos em Moçambique. A nossa juventude não é a continuidade. Nunca foi. A nossa juventude é a ruptura. Sempre. Foram jovens, por exemplo, que romperam com o sistema colonial. Foram jovens que fragilizaram – gosto deste termo – o projecto revolucionário “abrindo”. São jovens que colocam um grande ponto de interrogação sobre a viabilidade da nossa cultura abraçando as formas artísticas mais aventureiras de que há imaginação. Por detrás da aparente diversidade dessas formas artísticas está uma monotonia revoltante. Quando querem falar de amor usam o hip-hop; quando querem falar mal do governo usam o hip-hop; quando querem falar do prazer da vida usam o hip-hop; quando querem introduzir inovações na nossa música usam o hip-hop. Enfim, a nossa juventude, de calças gigantes usadas na angústia permanente de perderem de vista a cintura para sempre – aquelas calças metem-me tanta pena – ela anuncia tempos uniformes feitos da amplificação de coisas em que a estética se perde no conteúdo.
Portanto, o que estou a dizer é que a nossa juventude tem a característica singular de não representar a continuidade. Há razões profundas por detrás disto. A principal tem a ver com o estatuto normativo da nossa cultura. É que para que alguém seja a continuidade de seja o que for é necessário que essa coisa exista. Ora, a nossa epopeia é uma história de começos. Estamos sempre a começar de novo. Quem luta pela continuidade, e perde, são os mais velhos. Eles querem segurar o tempo, lamentam os tempos lá idos que eles próprios, quando ainda jovens, tudo fizeram para inviabilizar. Ah, o tempo colonial! Ah, o tempo de Samora! Ah, o tempo de Chissano! Daqui a alguns anos havemos de ouvir também “ah, o tempo de AEG!”. Mas na hora foi “suka xikolonyi”, “é outra vez o barbudo que está a falar?”, “deixa-andar” e “insaciável”. Um dos maiores desafios que enfrentamos na construção duma nação moçambicana consiste, de certeza, no estabelecimento duma rotina histórica suficientemente atraiente aos olhos dos nossos jovens para eles apostarem na sua preservação. A única condição que ela deve satisfazer é não precisar das mãos dos jovens, pois essas estão ocupadas a segurar as calças que caiem...
Elísio Macamo-Sociólogo, nosso colaborador

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Frelimo em Sessão do Comité Central

A vitória Prepara-se, a Vitória Organiza-se

Presidente Armando guebuza à sua chegada à Matola, para a IV Sessão Ordinária do Comité Central do Partido Frelimo.


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A propósito do spot “peixe com legumes?!?!”

Por: Américo Matavele

SR. DIRECTOR!


Agradeço a publicação desta humilde carta na página do vosso prestigiado jornal dedicado aos leitores. Muito se tem dito sobre o spot publicitário da televisão com o famoso nome de “Peixe com Legumes”. Gente houve que insinuou várias interpretações sem nexo, somente para impor a sua percepção ao resto das pessoas. Falo de pessoas com páginas exclusivas nos jornais, que leram a mensagem de uma forma isenta.

Maputo, Segunda-Feira, 17 de Agosto de 2009:: Notícias

Já ouvi gente insinuar (sim, insinuar), que o referido reclame não passava de outra coisa que uma pré-propaganda de um certo partido político, de modo a tirar dividendos primários rumo às eleições que se avizinham. Isso, até me fez rir.


Quando a Comissão Nacional de Eleições (CNE), lançou aquele spot publicitário tinha, segundo o meu ponto de vista, a única e exclusiva intenção de mostrar a importância da participação popular e consciente nas referidas eleições, já que as abstenções não são, e nunca foram uma coisa que se recomende numa democracia, seja ela qual for.

O facto de se meter a questão de refeição (refiro-me ao cenário), acho que foi a melhor maneira que os pensadores da CNE encontraram para que a mensagem fosse abrangente. Não houve, segundo o meu humilde ponto de vista, qualquer intenção de forçar todo o mundo a almoçar ou jantar “peixe com legumes”.

O cerne do spot para uma pessoa de bom senso e que não sofre de “partidite negativa”, é de demonstrar que se se hesita no dia da escolha (eleição), então, não há maneira, alguém vai escolher “peixe com legumes” para si. Isto é, se não escolher um candidato que tem em mente, ou se demorar, como aquele indivíduo que aparece no spot publicitário da televisão, ainda a querer dizer o que já devia ter dito, alguém vai lhe impingir um candidato que nem passava pela sua cabeça, e dirá, como aquele homem do spot, com toda a sua admiração: “PEIXE?!?!?” E quem votou dirá, como a senhora do spot: “com leguuumes...” E a si só restará aquele: “Sim, é isso que escolhemos... Ih, ih, ih...” irónico.

O cerne da mensagem é esse. Participe na escolha do que queres, porque se demoras, alguém vai escolher por ti. Aliás, no fim acho que se diz isso mesmo, e não sei onde se arranjou analogias até se chegar aos partidos políticos. Acho que alguns irmãos, ao analisar uma mensagem, antes de encontrarem uma certa semelhança com aquele partido político, negam todo o óbvio que a própria mensagem refere.

Quanto à questão de um certo fundo que aparecia (não sei, sinceramente, porque a CNE o mudou), não tenho palavras para descrever o que me ocorreu quando se comparou com a bandeira ou o símbolo de um certo partido.

Imaginem se todo o vermelho que está espalhado por aí fosse condenado? Se mudássemos tudo o que é vermelho pelo preto “consensual”, o que seria da rotina?

O que me intriga em tudo isto, e me fez escrever esta singela carta, é o facto de os mesmos irmãos que viram no fundo vermelho a imagem de um certo partido terem a coragem de parar num sinal vermelho. Será que não lhes lembra nada? E já agora, por que não banimos o equipamento do Matchedje? E por que não pedimos para se repintar todo o carro vermelho que pulula pela cidade? E os sinais de trânsito? E o pôr-do-sol, porquê ainda existe? E a Cruz Vermelha? E os montinhos de tomate no “dumba-nengue”?

Convenhamos...

Acho que se houvesse tourada, todo o toureiro teria que arranjar um outro pano, de uma outra cor para se exibir, com o risco (grande risco) de favorecer um certo partido político. E não só. Teríamos que consciencializar os próprios touros que, por razões de paridade de oportunidades, não mais podiam se enraivecer com um pano vermelho, mas sim pelo preto ou amarelo. Teríamos ainda que formar turmas especiais de dez a quinze touros, com professor altamente treinado, para, em aulas intensivas, poder erradicar o vermelho da cabeça (ou dos chifres) dos teimosos touros.

Ai, irmãos. Se queremos uma sociedade igualitária, não podemos inventar vantagens ou desvantagens com base numa neutralidade. Temos que ter a coragem de aceitar que num mundo limitado como este, teremos muitas repetições, coincidências e encontros fora da nossa vontade. Não podemos pensar em vão. Vamos pensar criticamente.

Pensar criticamente, não é negar a reflexão, querer ver vencidos e vencedores, mas é espremer o cerne do fim. Chegar ao fim óbvio antes de remeter a reflexão a uma crítica predeterminada e dirigida. Sei que não é fácil, mas tentar não é mau.

Um dos meus professores dizia que não há espaço para isenção científica numa pesquisa ou investigação, porque todos nós carregamos experiências que já podemos apelidar de genéticas, no nosso pensamento. Ele dava o seu exemplo, dizendo que não consegue se apartar da sua experiência militar, porque isso era ele, já estava gravado em si, porém, isso só serve de ponto de partida, depois de chegar ao ponto óbvio, ao ponto essencial da própria investigação ou pesquisa, já que esta por si é isenta das nossas influências.

As experiências, boas ou más, não têm, em si, capacidade para influenciar a pesquisa, se nós não lhes dermos um espaço forçado e voluntário, com um final premeditado, que nós mesmos desenhamos à primeira vista.

Pensar criticamente é entender o todo primário, e a partir deste construir uma verdade universal baseada na concórdia e no bem comum. Sei que a apreensão da mensagem é relativa, mas esta relatividade não pode ser tão negativa até se começar a odiar. Temos que ter a coragem de isenção, a coragem de estar na terra de ninguém, a coragem de nos referirmos ao primário antes de entrarmos em opiniões próprias. Quem concebe a mensagem tem o seu mérito, irmãos. A própria mensagem tem um significado primário, irmãos.

“Peixe com legumes” continua a ser uma mensagem clara, com ou sem o fundo vermelho, porque o que a CNE quer não é veicular a mensagem de alguém, mas sim demonstrar a sua vontade sobre o alcance que pretende que estas eleições tenham na consciência de cada moçambicano.

Deixemos de ser os touros que aqui mencionei, porque isso, além de distorcer a realidade nua e crua (a existência do vermelho), faz a gente perder tempo e recursos para erradicar o vermelho, como se este vermelho precisasse de ajuda para se expandir. A cor vermelha é natural e ninguém será capaz de erradicá-la. Olhe ao seu redor e conte o vermelho que vê, e depois diga-me se valeu a pena a sua insinuação de que o vermelho do “peixe com legumes” favorece um certo partido.

A propósito, já reparou nos brincos daquela mulher que impinge peixe com legumes ao “matreco”?

Conselho Constitucional aprova 3 candidatos a PR de Moçambique

O acórdão do conselho constitucional caiu como uma bomba para a maioria dos candidatos a presidência da republica.

Contrariamente ao que se esperava, o conselho constitucional aprovou apenas as candidaturas de Armando Guebuza, Daviz Simango e Afonso Dlhakama, ao cargo de presidente da República nas eleições de 28 de Outubro.

Na sua fundamentação o conselho constitucional; diz que os outros candidatos apresentavam várias irregularidades principalmente as repetições de nomes dentro lista dos mesmos candidatos ou em vários outros, cartões de eleitores com números inválidos, entre outros problemas.

A titulo de exemplo, Após o rastreio, o conselho constitucional constatou por exemplo que Yacub Sibinde das mais 12 mil assinaturas que apresentou, válidas tinha apenas pouco mais de 6 mil. Raul domingos apresentou 10 mil e 60 mas foram validadas apenas pouco mais de 5 mil

Fazem ainda parte dos reprovados pelo constitucional os candidatos José Viana, Artur Jaquene, Leonardo Cumbe, Khalid Sidat.

O constitucional diz que irregularidades houve também nos candidatos aprovados porém não em quantidade suficiente para a anulação das sua candidaturas.

Fonte: TIM